Entrou com rosas. Faz parte da disputa de narrativa. A platéia era dela, mas é ainda pouco. O reitor da unb não estava.
O vídeo diz.
Entrou com rosas. Faz parte da disputa de narrativa. A platéia era dela, mas é ainda pouco. O reitor da unb não estava.
O vídeo diz.
Nos sábados a voz sobre o golpe se perde.
Os vinhos e a música que fala sobre caracajus e sobre o gosto do batom que bate sorve às vezes a política.
dá saudade de achar que não vivemos no estado de hoje.
Não sei por que saudade bate. deve ser por doer no sangue, tipo uma leucemia perpétua.
deve ser por isso que se morre de saudade.
mas não sei, ainda, por que se mata saudade. deve ser por ser a leucemia mortal.
essa semana foi marcada pela visão e revisão de um texto que me que me deixou cego por alguns dias para outros.
a obcecação afetou, acho, até mesmo esse diário. A escrita torna-se difícil quando só se quer escrever.
espero acabar e publicar tal texto ainda hoje, votar meus olhos novamente à graça infinita, que terei de tentar começar a ler novamente.
Dilma foi citada de leve, muito de leve.
Colegas que apoiam o golpe, no entanto, querem fazer crer que dilma é como todos. Mas não é.
De leve, anuncia-se cada vez mais alto a morte de dilma. Que digam as capas dos jornais de hoje.
sim, é sim tipo um cano que estoura e fica escorrendo pela casa toda.
são os vazamentos, são os vazamentos de sérgio machado.
as goteiras do administração temer só fazem pingar. os vazamentos de conversas evidenciam, infelizmente, que passamos por um golpe arrastado por maltas de parasitas.
o que vaza mostra um arrastão de políticos em Brasília.
e o que fica (was bleibt) é uma angústia grande, tipo aquela que bate depois de se lamber um sapo amarelo achando que iria dar barato, mas que nos leva em verdade a uma bad trip.
sim, uma vez sim, é sempre esse maldito sim que confirma que a democracia brasileira vaza pelos canos de uma política enferrujada.
Ontem Jucá plasmou e desenhou. Hoje, ninguém mais fala disso. Há alguns que pintam e bordam.
As gravações de Romero Jucá, do PMDB-RR, então Senador licenciado por ter assumido o cargo de Ministro do Planejamento da administração Temer mostram, sem máscaras, sem intermediações, sem discursos empolados e sem vergonha, o golpe.
Fico, sinceramente, triste pela certeza de estar vivenciando um golpe, como certos habitantes vivenciaram uma morte que se vinha anunciando. Triste também por ver que ainda há muitos que não querem sentir o óbvio, que não querem ouvir a música das esferas do PMDB e do PSDB, essa aí desde que o golpe é golpe.
A internet disse a mim que Jucá desenhou o golpe para todos entenderem: fim da Lava Jato, absolvição de todos com a benção do STF. Queda de Dilma como condição para tudo isso. É engraçado, mas incompleto. Antes de desenhar, Jucá, articulador central de Temer tenebroso, plasmou o golpe com o barro da desfaçatez de quem não precisa de democracia ou de Estado de Direito para fazer o que bem entender com o Estado.
Temer, esse que nos enerva, mantém a cara de pau típica dos que têm a burocracia jurídica ao seu lado, dos que sabem que, a depender dos julgadores e legisladores, tudo ficará como está, ainda que esses mesmos seres das leis tenham sido motivo de chacota por parte de Jucá.
Talvez, com o incerto que há nessa estranha palavra sem futuro (foda-se), a revolução não será televisionada, mas esse golpe, esse sim, está sendo bem televisionado. É um golpe que fica golpeando, é um golpe no gerúndio, que se arrasta, que fica gemendo e nos imolando.
Dê-me esse segundo copo de golpe, esse que se escancarou com sorrisos amarelos hoje, pra nós beber curare, assim mesmo, dê-me o capiristicamente, sem essa merda de concordância de número, quero beber esse segundo e ver no seu fundo que o direito, no Brasil, está prestes a ser declarado imprestável. O que virá depois, é tarefa só pros raduans da vida imaginarem.
Ainda sobre o leminha de Temer, o tenebroso, comentado aqui ontem.
Agora, por todos os cantos vemos o tal mote de auto-ajuda temeriano. A cidade provinciana minha se encheu de mensagens positivas de uma ética do trabalho tão falsa quanto cínica.
Eu me enchi foi de ódio (e de um tédio colérico)
É como se o problema fosse a falta de trabalho.
Como se não se pensar em crise fosse algo bom e, o melhor, algo que descrisasse a crise.
Como se pensar não fosse trabalho. Como se deixar de pensar não fosse trabalho. Como se trabalho fosse a antítese de crise.
É ridículo. Deveriam grafar crise com z.
Nunca deixei de ser oposição. Mas é verdade que as estupidezes dessa novadministração fazem aflorar, em terra de aquífero humilhado, uma intestinal fome de fazer ruído.
No caso, de pixar em todos os outdoores: não trabalhe. a crise nos faz bem. deixe a crise nos crisar, nos embebedar, nos estraçalhar, nos renascer, nos tragar, nos nadadizar, nos aniquilar.
Crise bem que poderia ser um verbo. Seria massa poder usar toda vez que estivéssemos quase rompidos com nós mesmos.
Os protestos contra Temer espalham-se pelo Brasil. O erro infantil de não ter indicado mulheres ou negros ou negras, junto ao fato de ter extinto um Ministério cuja existência coincide com o ano do fim da ditadura (1985 – para alguns, ainda ditadura) faz dele presa fácil.
Vamos ver o fôlego dos protestos. O MinC, atendendo à minha faixa qua carreguei hoje pelo centro, voltou.
Veremos se a crise crisará ainda mais a esquerda, que se mostra hoje crisada e, pra variar, rachada, diluída.
A oposição crise/trabalho, no entanto, é para a próxima.