O novministeriado

ministerio - temer - 12 - 05 - 2016

 

Temer ditou o novlema da administração Federal para “Ordem e Progresso”. Não mais “Pátria Educadora” ou “Um país de todos”. Não. Agora, o velho e ridículo lema positivista de Comte é que move slogadariamente a novadministração.

Outra das notícias da administração Temer teve a ver ontem com os novos ministros.

São, sem exceção, homens brancos, sete dos quais envolvidos na Operação Lava Jato. Sete.

Como intelectual, tento evitar ao máximo adjetivações desnecessárias. No entanto, essa administração cheira a café com leite. Gente que acha que as criadas, de preferência negras, devem servir a eles os cafés e os leites, quando não a seu serviço sexual.

Cheira a uma constelação digna de uma Republiqueta que constrói privilégios aos mais apossados e deixa a ralé lá mesmo, no ralo.

Para um jurista paulista, portanto cevado de São Paulo, a observação de Alexandre de Moraes como Ministro da Justiça arrepia, no pior sentido da palavra.

Moraes não defende nenhuma bandeira, a não ser aquela vaga, a de uma ordem constitucional.

Escritor de um manual de direito constitucional manualesco, Moraes é um senhor com pouquíssimo apreço aos movimentos sociais, sendo um desses nomões do direito que usam o direito e seu nomão da forma como querem para que velhos privilégios sejam mantidos.

É uma pena que a USP ainda tenha em seus quadros tantas pessoas irrelevantes do ponto de vista acadêmico, mas com grande projeção no mundo político. No fundo, pouco importa a irrelevância acadêmica, mas o problema é o uso que se faz, o verniz de autoridade no assunto que um cargo na USP proporciona.

Segue Moraes, infelizmente, as sinas de Miguel Reale pai e Miguel Reale filho, no sentido de apoiar os mais excludentes e ditatoriais movimentos políticos do Brasil. Isso não quer dizer, por óbvio, que não haja uspianos mais comprometidos com a democracia.

A polícia de São Paulo, a polícia de Moraes, mata. A polícia de São Paulo, a polícia de Moraes, bate em professores, protestantes e alunos, mas protege ladrões de merendas e de remédios. O Ministério Público de São Paulo é, via de regra, zeloso em relação aos malfeitos do PSDB, partido que comanda há tanto tempo essa capitania.

O Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos será extinto. Ele será fundido com o da Justiça, esse mesmo, a ser comandado por Moraes. É ele quem dará rumos a políticas públicas relativas aos direitos de populações marginalizadas.

Essa é a novadministração que se pretende ordeira e progressista, que diz atuar contra a corrupção.

Temer, o tenebroso.

 

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