a ressaca

primeiro domingo sob a novadministração interina, depois dum sábado recheado de festas para todos os olfatos, cheiros e faros, depois de um post sobre o mar e as marés.

parecia o dia ideal para uma ressaca.

pensei que veria as pessoas se entreolhando e se abraçando contritas, trituradas, arrependidas por terem apoiado um golpe, por verem a novadministração a se plasmar com gêneros e cores bem fixados, aqueles típicos dos que querem um status quo inerte, tristemente domingueiro. Gêneros e cores que cheiram a corrupção, duma administração que é a corruptela de um governo.

esse domingo, no entanto, seguiu a fiar com sua roca bocejos e linho de ir à missa, signos de nossas vidinhas iguaizinhas e medionas.

o domingo, pensando bem, não é tão primo assim da ressaca. Domingo é constante, uniforme, inofensivo, domingo é uma missa baixa. A ressaca é essa que incomoda, incomoda nossas cabeças e estômagos, incomoda as pedras e gentes do litoral. Os domingos esbarram nas nossas ressacas só por vir após os sábados.

o gosto na boca dos que passaram por esse domingo parece não ser esse que sinto, esse que aperta a boca, esse que não molha nem a palavra, nem as amargas. Esse gosto que cheira mal.

 

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