As gravações de Romero Jucá, do PMDB-RR, então Senador licenciado por ter assumido o cargo de Ministro do Planejamento da administração Temer mostram, sem máscaras, sem intermediações, sem discursos empolados e sem vergonha, o golpe.
Fico, sinceramente, triste pela certeza de estar vivenciando um golpe, como certos habitantes vivenciaram uma morte que se vinha anunciando. Triste também por ver que ainda há muitos que não querem sentir o óbvio, que não querem ouvir a música das esferas do PMDB e do PSDB, essa aí desde que o golpe é golpe.
A internet disse a mim que Jucá desenhou o golpe para todos entenderem: fim da Lava Jato, absolvição de todos com a benção do STF. Queda de Dilma como condição para tudo isso. É engraçado, mas incompleto. Antes de desenhar, Jucá, articulador central de Temer tenebroso, plasmou o golpe com o barro da desfaçatez de quem não precisa de democracia ou de Estado de Direito para fazer o que bem entender com o Estado.
Temer, esse que nos enerva, mantém a cara de pau típica dos que têm a burocracia jurídica ao seu lado, dos que sabem que, a depender dos julgadores e legisladores, tudo ficará como está, ainda que esses mesmos seres das leis tenham sido motivo de chacota por parte de Jucá.
Talvez, com o incerto que há nessa estranha palavra sem futuro (foda-se), a revolução não será televisionada, mas esse golpe, esse sim, está sendo bem televisionado. É um golpe que fica golpeando, é um golpe no gerúndio, que se arrasta, que fica gemendo e nos imolando.
Dê-me esse segundo copo de golpe, esse que se escancarou com sorrisos amarelos hoje, pra nós beber curare, assim mesmo, dê-me o capiristicamente, sem essa merda de concordância de número, quero beber esse segundo e ver no seu fundo que o direito, no Brasil, está prestes a ser declarado imprestável. O que virá depois, é tarefa só pros raduans da vida imaginarem.