Temer perdidinho. Nós, descarrilhados, desdestinados. 

 escrever é um contradestino, escrever é desnomear o nomeado, me diz a Paula Glenadel. 

Né bem assim não. Escrever é desgovernar, desnomear e desdestinar o que ainda não se escreveu ou que ainda não foi descrito. É um contrataque ao não visto, sim. 

Tem a ver sim com os desencantamentos e contramagias de nosso “des” e de nosso “contra”, de qualquer sorte. 

Desperdidos, desgovernados, descaminhados, estamos no Brasil, nossas vozes e nossas desescritas. 

A escalada de protestos

No dia em que deixo o Brasil – não sei se terei condições técnicas de compor, ou melhor, de publicar amanhã, penso no que ouvi hoje. 

A tese é a de que não se deve admirar que a direita conseguiu mobilizar muitos, já que sempre fez isso – think tanks, por exemplo, mostram que esses senhores têm o olhar lá na frente ao patrocinar pesquisas acadêmicas de qualidade e que coadunam com seus interesses econômicos. 

Pode ser. 

Sempre gostei de pensar que os intelectuais apenas raramente são mal intencionados, sendo que o uso de suas ideias por outros setores independe de suas vontades. Contudo, parece claro que o jogo científico depende de dinheiro, e é nas grandes empresas que ele se encontra. 

Fazer um think tank de esquerda parece ser um objetivo viável. Se ele ficar sob a alçada do estado, no entanto, está fadado ao insucesso. 

É, portanto, um desafio. Em momentos como o atual, não há foco entre os intelectuais quando o assunto é golpe. A ver. 

Ouvi também que os protestos da esquerda vão crescer. 

A ver. 

Na estrada

As recentes bobagens da novadministração fazem com que o improvável fique mais sólido. 

As notícias de que dois senadores votariam contra o impeachment são surpreendentes. 

A confiança em dilma subiu. 

Os arranjadores já arranjarão noticiário contra. 

Na estrada, no entanto, só se pensa em não morrer e em não tomar multas. 

sobre os discursos, ainda

interessante é dilma e josé eduardo cardozo posarem hoje de heróis da esquerda, após trocentos erros políticos básicos, incluindo não saber ouvir a quem hoje recorrem.

das cenas que mais me impressionaram ontem foram pessoas tirando selfies com cardozo, como se ele fosse um verdadeiro popstar, logo após dizer que era muito bom saber “estar do lado certo da história”.

sou cético e cínico demais pra ouvir isso e não me mal-humorar. primeiro, por que do lado certo que ele hoje acha que é lado certo não esteve o governo em muitas vezes. segundo, por não existir lado certo e errado, como se o julgamento fosse moral.

é claro que a democracia está sendo golpeada, mas enxergar no PT, em dilma, em lula, em cardozo etc.  mártires, soa como uma uma piada mal contada, dessas que a gente ri por perceber ter acabado, mas não vê graça, não entende, envergonha-se pelo contador.

Ps: postei ontem logo após o evento com dilma. o vídeo deveria ser outro, o de dilma a entrar no beijódromo da unb. acabou que ficou o vídeo do pessoal contra temer. ok. o vídeo desse amador tecnológico aqui, contudo, não foi gravado.