sempre quando se fala em metades, vem aquela música das metades da laranja.

Metade dos brasileiros seria contra os jogos do rio, segundo o datafolha.
Metade, portanto, não se oporiam.

metade dos brasileiros, HOJE, diferentemente do que era alguns meses antes (vê aqui), querem a permanência de temer, o tenebroso.
metade não o querem ou não afirmam que querem.
por que as metades, no entanto, são invertidas pela folha?
seria possível argumentar que a respostas afirmativas seriam as escolhidas, ou seja, aquelas que desconsideram os indecisos/indiferentes.
o problema aqui, no entanto, não é esse.
as democracias usam do curioso método de contar narizes para decidir o futuro em uma ocasião fundamental: eleições.
nas horas que sobram, seguem-se regras mais ou menos rígidas.
incontáveis são os casos de presidentes impopulares que governaram. fhc, do psdb, por exemplo, em especial durante o famigerado segundo mandato.
parece banal, mas não é. as manchetes querem levar-nos a crer que o polvo (sic) brasileiro apoiou e apoia o golpe. como se isso fosse legitimar o golpe.
se você conversar com um desses apoiadores da ditadura militar, vai ouvir a mesma coisa: que na época “todos” eram contra jango.
em primeiro lugar, isso não se aplica nem a jango, nem a dilma.
em segundo lugar, foda-se. democracia não é pautada pelas maiorias de ocasião.
de qualquer maneira, para constar:
nos dias golpistas: “Já o Ibope traz um cenário ainda mais negativo para Temer: apenas 8% da população preferia a solução que está sendo adotada, com impeachment de Dilma e Michel Temer presidente” (veja aqui).
por fim, levando-se em consideração que na triste época do golpe 25 por cento queriam que dilma continuasse (de novo aqui), eu poderia dizer que dilma subiu sete pontos percentuais, pois agora 32 por cento querem seu retorno. Contudo, isso seria algo grosseiro de minha parte, já que era outro instituto, outra base, outra metodologia.
não dá pra ficar bancando o observatório da imprensa toda hora. nem pra ficar manipulando números de maneira apressada, lendo da forma que nos convém, sem roteiro nenhum.
o foda é que muita gente assim o faz.