Antes da razão


A insurreição foi também um grito para largar qualquer ajuda estatal e fazer com que o próprio público sustente as peças e as estruturas completamente. 

Pode ser que dê certo com o teatro oficina de zé celso. 

Mas a cultura é ainda refém do estado. Qual o mal o estado promover, através de renúncia fiscal, a cultura?

Como conversamos com amigos, às vezes parecem a nós impensáveis, ridículos, certos discursos. 

O de que artista é vagabundo e corrupto é o novo absurdo promovido pela novadireita e pela novadministração. 

Insurreição, pelo que entendi, esse gozo de cultura, vem só, para o zé, apenas se há antes a agonia. 

sobre poemas

você só sabe que fala bem um idioma no momento em que consegue cometer erros conscientemente, fazer construções gramaticais ao arrepio da gramática, falar tudo meio errado assim memo por achar que a pureza gramatical, a gramática da tia sara, não consegue arranhar o sentido que se quer assoprar.

o poema é a negação da prosa gramatical. tem que ter um que de que se foda.

ASSINTONIA

Falta-me tristeza.
Instrumento mobilizador
Dos meus escritos.
Não há tragédia
À vista.
Nem lembranças
De tragédias passadas.
Nem dores no presente.
Lamentavelmente
Tudo anda bem.
Por isso
Andam mal
Os meus escritos.

esse poema, de temer, o tenebroso, é o retrato dele.

foda-se que é mau poeta, foda-se que não é lisboeta nem cego de um olho.

só os golpistas podem achar que escrevendo corretamente se chega ao poema, esse lugar sujinho e quente, molhado e seco, fogo e frio. golpistas, golpistas na veia, de terno, gravata e propinas não conseguem romper, atacar, golpear, arranhar poema.

 

 

as desprovas

a prova do que se quer ver condenado é de ferro é à fórceps tirado da pedra e dada ao juiz que bate na cabeça o ferro que já transvirou prego do próprio condenado transtornado

ainda que sempre se prove que o que se quer ver condenado não o seja não haverá não haverá como deixar de ser de pedra aquela prova

é como ser o ciclista que sou no interior de são paulo e ver uma morte ao lado da casa e o descaso absoluto de quem deveria regular o trânsito e a população e querer que o trânsito mude por que a gente não merece morrer assim não mas que se foda eles dizem

dilma não foi mostrada como culpada pelos próprios técnicos do senado vê aqui e chamará uma quebra à constituição a constituição já está quebrada e ninguém está a gritar atrás da catedral de ruão na mesa do pai no trem do idiota na cidadezinha do matusalém no presídio que se alagou ninguém ninguém a gritar que a constituição ruiu desruiu

o jaburu viu o novadminstrador e o vice rey se reunirem apesar de um ser golpista e ficha suja e o outro um gângster um gângster como não vêem que ele é a porra de um gângster veja aqui e as porra dos media e da galera e daquela malta branca que batia panela zwilling tão pouco se fasciculando se latejando por causa disso devem achar que ninguém vai fazer nada contra a pf que tá tudo bem e o tango vai tocar sem saber onde a porra do homem nasceu

precisamos de um borges dum cego pra ter fagulhas e ferramentas e alephs e essa porra toda pra olhar observar encarar e gritar

quebras desquebras provas e desprosas irrompem de alguma forma o direito rompem as vírgulas e os pontos e a gramática de merda que só faz crescer minha branquidão estúpida à face da cidade que contra mim se joga

entre petralhas

é claro que nem todo jornalista, individualmente, pode ser tido como um funcionário extraordinário das forças golpistas. não me parece.

ignorar, no entanto, que as redações, orientadas pelos patrões, orientados pelos políticos, orientados por criminosos do colarinho branco etc., ignorar que elas não tem a determinação de esconder o que é mau para Temer, o tenebroso, e seus temeritos, e tacar o pau em tudo o que é ligado a dilma, é imperdoável, ainda que a pessoa posicione-se a favor de temer.

posso dizer que sei de vários casos assim, como amigo e colega de jornalistas.

a cobertura é vergonhosa.

frias chamando uma jornalista inglesa de petralha é imperdível.

queridas víboras

as manchetes de hoje dão que um ex figurão petista foi preso.

dão também que alexandre de moraes, sempre ele, reuniu-se com moro em off.

no brasil, todo presidente esquenta no microondas ratos mortos e congelados para o banquete das víboras que ficam a beirar.

quer dizer que elas são criadas e engordadas por esses presidentes.

a não ser, né, que os presidentes, interinos ou não, rastejem eles mesmo por força de maldição bíblica.

querido diário, não sei mesmo se prender paulo bernardo muda algo, nem sei se era necessária a prisão.

os instintos do judiciário branco brasileiro, no entanto, parece ser assemelhado aos dos amaldiçoados seres de sangue frio.

ato falho

uma amiga foi dizer uma vez “ato falho” e disse, ao invés, “ato fálico”. acho até hoje que foi um ato falho dentro de um ato falho.

de minha parte, vanglorio os atos falhos.

Temer, o Tenebroso, respeitável público:

“E ademais disso, pelo que sei, a senhora presidente utiliza o avião, ou utilizaria, para fazer campanha denunciando o golpe.”

maggi – novministro

blairo maggi (!), novministro  defende que estrangeiros possam comprar terras no brasil, sob o argumento de que isso facilitaria o crédito, pois os bancos estrangeiros não poderiam tomar as terras dos vendedores. é de uma falácia absolutamente absurda.

vê acá:

Terras para estrangeiros
Hoje estrangeiro não pode comprar terra. Isso tem uma consequência no crédito, porque os bancos de fora, que emprestam no Brasil, não podem receber as terras como garantia. Porque se tiver que executar a dívida, não pode ficar com a terra. Então, é um problema que precisamos enfrentar. Defendo que pode vender. E a terra comprada pelos estrangeiros será sempre brasileira. Ninguém vai poder levar. O governo pretende mandar mensagem para regulamentar isso também.

é um absurdo.

rapidamente: numa execução, o imóvel vai a praça pública (há um leilão), e a grana vai pro credor. pronto.

a entrevista do estadão, aliás, é vergonhosa. é numa coluninha, em página par (a4) do jornal, como se não fosse possível ao jornalista contra-argumentar. não estou conseguindo me expressar. quero dizer que a entrevista mais parece um press release.

o CAR ficou pra trás também ().

sempre achei bobagem a expressão “pra trás” ou “pra frente”. não acredito em avanços, desavanços ou retrocessos ou desretrocessos.

bom, mas la cosa é que a novadministração caminha-nos prum buraco cada vez mais branco.

 

o rio quebrou

e o rio quebrou.

meirelles, o velhonovministro dificilmente conhece as quebradas cariocas. acaba de arrastar a quebradeira dos estados para mais para frente.

moreira franco diz que temos que foder com o povão pra não passar mico ( aqui).

é a calamidade de nossa república.

é o sempre estado a esbulhar os bens públicos em prol de uma pequeniníssima parte da população, a rica, a branca.

isso não quer dizer paz.

não quer dizer que seja algo novo.

o campo de golfe (veja aqui)  está dentro de nossas casas, nós que temos internet rápida, que temos psicóloga, que lamentamos a qualidade da televisão brasileira, que bebemos vinho, que lemos livro francês e ouvimos música do mali. que batemos panela, que não batemos panela.

esses campos de golpe, esses campos de golfe, esses é que deixaram com que eu e tantos outros escrevêssemos blogues, bloques que não podem falar das quebradas.

cristovam buarque

votei uma vez em cristovam buarque. como ele, achava que era importante uma ênfase brutal em educação. tínhamos que concentrar esforços, energias, cabelos, para revolucionar o país também pela base.

cristovam, contudo, é hoje apenas um oportunista. um senhor que espera os ventos para posar de boy reflexivo. quer que achemos realmente que ele é um ponderado que analisa se há ou não crime de responsabilidade, ao mesmo tempo que diz que dilma não pode voltar de jeito maneira.

não sou daqueles que acham que faltam opções no brasil. não é esse problema.

cristovam, no entanto, é carta fora do baralho do que poderia ser uma política renovada.

http://globosatplay.globo.com/globonews/v/5100079/