é a coisa de se viver fora.
por mais que se leia o jornal e o outro e o outro jornal, você acaba por se afastar um pouco das coisas que acontecem no seu país.
acho que não ter a ver com os olhos e ouvidos, mas com os narizes e as línguas. os cheiros, descheiros, gostos, desgostos, temperos e destemperos parecem trazer-nos para o mundo que estamos.
como aconteceu com a alemanha, passo a olhar como são semelhantes nossos hábitos com os dos estrangeiros.
ao notar o descaso com os escravizados por parte dos donos das fazendas, ao notar a falta de opção do povo negro a não ser voltar à fazenda após a guerra civil, ao ver que aqueles mesmos donos das fazendas continuaram a escravizar pessoas através de dívidas, ao ver que os guias das plantation tours parecem absolver de certa forma os senhores, não há como não se pensar na região racista, desigual e baseada na agricultura que cresci, nas fazendas que passei minha vida toda, nas casas dos empregados e nas casas dos não empregados.
na minha região, no entanto, o período escravocrata não é mencionado, o que nos torna ainda mais perversos.
é apenas agora uma nota de rodapé: não sei por que Drummond não sai de minha cabeça.
ficou à minha volta hoje, enquanto andava por uma então plantation então creole, crioula:
vasto mundo, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, vasto mundo, vasto,mundo, vasto, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, vasto, vasto,vasto,vasto,mundo, moribundo, mundo, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, vasto mundo, mundo, mundo, moribundo, vasto, vasto mundo, mundo, mundo, vasto mundo. vasto.
A diferença é que nunca pensei em solução alguma.
Bem, mas isso ficou no poema de hoje.
